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Enfermeiros e equipes da Atenção Primária de Saúde no contexto da pandemia de Covid-19: reconfiguração do trabalho e das práticas para cenários futuros

PROJETO FINANCIADO PELO EDITAL UNIVERSAL CNPQ 2021

A atuação da enfermagem tem sido ressaltada, no contexto da Covid19, mundialmente como parte essencial da equipe que pode salvar vidas, diante da gravidade da situação. Divulgada nos meios de comunicação e normativas, o foco tem sido sua atuação nos espaços dos serviços secundários ou terciários, diante da forte demanda de leitos de cuidados intensivos e suporte ventilatório imediato.

O papel da enfermagem ganhou relevância em função de essa categoria compor a chamada “linha de frente” na atenção às pessoas infectadas e/ou doentes. De um lado, há uma maior visibilidade do trabalho de enfermagem: lembremos do reconhecimento público expresso em sessões de aplausos diários nas janelas das pessoas em isolamento social, em muitos países. Por outro lado, o nível da Atenção Primária atuou de forma subsidiária, e sua organização, a capacidade de gestão municipal, os processos de trabalho e financiamento têm sofrido mudanças importantes que impactam no trabalho do enfermeiro.

Apesar das dificuldades, considera-se que a Atenção Primária pode produzir ações de saúde comunitária em rede, para prevenção e promoção da saúde, mesmo durante situações de crise sanitária emergencial como na pandemia. Admite-se, portanto, que iniciativas com potencial inovador estejam se produzindo agora, durante a pandemia e suas fases posteriores, nos serviços e unidades da APS nos níveis locais. Nesse contexto, tem destaque a atuação do enfermeiro, que desenvolve atividades de educação em saúde e mediação nas equipes, imprescindíveis aos sistemas de saúde.

Há pouca clareza sobre o que deverá mudar nas atribuições de equipes e profissionais nos cenários futuros, o que indica a necessidade de desenvolver estudos que analisem como vem se reestruturando o processo de trabalho, as práticas e as redes sócio-técnicas de equipes e enfermeiros, e quais as potencialidades para ampliação da capacidade da APS nos cenários de crise sanitária.

Objetivos:

  • Realizar estudo com base em entrevistas individuais e em grupo-focal para mapeamento de práticas e ações em equipe e comunitárias desenvolvidas por enfermeiros e equipes da APS durante a pandemia de Covid-19, e no período pós pandemia.

  • Identificar quais práticas e ações são consideradas mais efetivas para a o trabalho do enfermeiro na APS pelos enfermeiros e equipes;

  • Analisar os processos de trabalhos dos enfermeiros participantes de acordo com os seus elementos constituintes: objeto, objetivos/finalidades, instrumentos e o próprio trabalho em si, decodificado em conteúdo, tempo e ritmo.

  • Mapear e analisar as relações em redes nas quais o trabalho dos enfermeiros vem se desenvolvendo durante a pandemia e quais configurações e mudanças estão sendo propostas para o período pós pandemia;

  • Propor e discutir, por meio da devolução de resultados sistematizados, orientações para fortalecer as práticas de enfermagem na APS em cenários futuros.

 

A abordagem é de caráter qualitativo e extenso, admitindo a produção complementar de dados quantitativos descritivos (perfil dos participantes, indicadores municipais, numero de profissionais, dentre outros). Os procedimentos metodológicos incluem: i) um componente de análise documental e de revisão da literatura recente sobre a pandemia em cada cidade e país, podendo incluir análise de bancos de dados secundários de acesso aberto; ii) um estudo de base empírica e exploratória, com a aplicação de questionário individual em meio virtual, e realização de entrevistas em grupo-focal com profissionais enfermeiros e outros profissionais das equipes de APS. A análise se baseará em um aporte qualitativo do tipo análise de conteúdo temática, assim como a produção de sociogramas e medidas de Análise de Redes Socais.

O estudo contará com a participação, para fins de discussão dos resultados, com a presença de pesquisadores espanhóis da área de enfermagem e saúde comunitária

Fotos da 1ª oficina metodológica do projeto:

As Universidades, pesquisadores e municípios brasileiros participantes são:

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (proponente)

Helena Maria Scherlowski Leal David – Coordenadora

Magda Guimarães de Araújo Faria

Sonia Acioli

Ana Carolina Tavares Vieira

Municípios: Maricá

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB  (Campus Jequié)

Joana Angélica Andrade Dias

Flávia Pedro dos Anjos Santos

Municípios: Jequié

Universidade Estadual do Ceará – UECE

Lucilane Maria Sales da Silva

Maria Rocineide Ferreira da Silva

Municípios: Pacatuba

Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul – UEMS (Campus Dourados)

Cassia Barbosa Reis

Municípios: Iguatemi e Dourados

Universidade Federal de Goiás  – UFG (Regional Catalão)

Renata Alessandra Evangelista

Municípios: Catalão

Universidade Federal do Amazonas

Esron Soares de Carvalho Rocha

Municípios: Autazes e Manacapuru (UBS Fluviais), Manaus (Distrito Especial Indígena – não inclui participantes indígenas)

Colaboradores da Espanha:

José Ramón Martínez-Riera

Universidade de Alicante

Jorge López Gómez

Universidade Internacional de La Rioja

Vicente Gea Caballero

Universidade de Valencia